São José dos Campos (SP) – “Saber falar ‘não’ é a moeda do século.” Entre tantas tendências, referências e novidades, escolher o que combina com a gente pode ser mais importante do que acompanhar tudo. A reflexão de Letícia Vaz deu o tom do Colinas Talks, que reuniu a empreendedora e Tete Conde nesta quarta-feira (14), no Teatro Colinas, em São José dos Campos.
Promovido pelo Colinas Shopping, o bate-papo recebeu cerca de 300 pessoas e passou por moda, consumo e pelas escolhas que fazemos em meio a tanta informação.
As redes sociais e seu papel na circulação das tendências foram um dos assuntos da conversa. Para Letícia, CEO da LV Store, a relação entre marcas e consumidores mudou nos últimos anos.
“Antes, a moda vinha de cima para baixo, as grandes marcas estudavam as tendências e ‘empurravam’ as coisas para o consumidor. Hoje, existe uma aceleração e criação de tendências, a partir da mudança de comportamento e das mídias sociais”, afirmou.
Tete lembrou que, quando as revistas concentravam a informação de moda, havia um intervalo maior entre os desfiles e a chegada das notícias ao público. Com as redes sociais, as referências circulam rapidamente e alcançam mais pessoas. Na avaliação da criadora de conteúdo, esse acesso também ajuda o público a entender de onde vêm as tendências e a adaptá-las ao próprio repertório.
Nesse movimento, peças que já estão no guarda-roupa podem ganhar novos usos. “A gente vê movimentos como a nostalgia, com todo mundo podendo usar coisas do nosso acervo”, disse Tete.
Mediador do encontro, o consultor Reginaldo Fonseca destacou a relação entre moda e comportamento. “A moda não muda, são as pessoas que mudam. E o digital mudou a forma de entender e consumir moda”, afirmou.
O desafio de escolher
O acesso a tantas novidades também trouxe outra questão para o debate: o cansaço diante do excesso de escolhas. Letícia e Tete falaram sobre a importância da curadoria, a seleção entre tantas referências, produtos e possibilidades.
“A moda é a tradução do comportamento humano. E as pessoas estão cansadas de ter que tomar tantas decisões. A cereja do bolo é a curadoria”, disse Letícia.
Para quem trabalha no setor, essa seleção passa também pela identidade de cada negócio e pelo público que ele quer alcançar. Tete destacou que as tendências podem ajudar a construir estratégias, enquanto os elementos que definem uma marca se transformam em outro ritmo.
“A tendência é o trampolim, abre a porta, e aí começa o jogo. As marcas podem traçar estratégias a partir das tendências, sem perder sua essência”, observou.
Ouvir o cliente
Letícia defendeu que os empreendedores conheçam as necessidades de seus clientes. “Prefiro fazer muito sentido para cem pessoas do que pouco sentido para mil. Cada uma das cem traz mais três, que trazem mais três”, afirmou.
A empresária contou uma prática que adota na loja virtual: resgatar 15 carrinhos abandonados e entrar em contato pessoalmente com essas clientes. O exemplo ilustra a importância que atribui à escuta do público, inclusive quando a compra não acontece.
“A comunidade traz conexões valorosas. Como se diferenciar? Dando para o cliente mais do que você pede, toda hora estar escutando o cliente, não só para ouvir elogio. E essa comunidade defende e ‘vende’ a sua marca”, disse.
A conversa também passou pelos bastidores de empreender na moda. Ao falar sobre crescimento e custos, Letícia chamou a atenção para a viabilidade do negócio.
“As pessoas idealizam o mundo da moda, mas qual é a sua margem no final do dia? O negócio só é lucrativo se conseguir escalar sem onerar tanto a sua estrutura.”






