Tendência low & no alcohol conquista taças brasileiras

Há uma revolução silenciosa acontecendo dentro das taças. Não se trata de grandes safras nem de preços recordes, mas de uma virada cultural que está redefinindo o que significa apreciar um bom vinho.

 

Durante muito tempo, o teor alcoólico elevado foi lido como sinônimo de qualidade e complexidade. Um vinho com 14% ou 15% de álcool carregava consigo um prestígio quase automático. Mas esse cenário está mudando, e com velocidade surpreendente. O consumidor de hoje, mais informado e mais atento ao próprio corpo, começa a fazer perguntas diferentes diante da prateleira: o que este vinho vai me proporcionar? E a resposta, cada vez mais, passa pela leveza.

 

O movimento que chegou para ficar

 

O fenômeno tem nome no mundo todo: low & no alcohol. E os números de 2025 confirmam o que os palatos já percebem. Segundo a consultoria IWSR, o segmento de vinhos lidera a tendência de bebidas sem ou com baixo teor alcoólico, com estimativa de crescimento anual composto de 12% entre 2023 e 2027. No Brasil, a projeção da IWSR aponta crescimento de 10% ao ano no segmento no-alcohol até 2028, impulsionado pela entrada de novos consumidores e pelo aumento da frequência de consumo. 

 

O comportamento do consumidor brasileiro já reflete essa virada. Pesquisa do Datafolha realizada em abril de 2025 revelou que 53% dos brasileiros que consumiram álcool no último ano reduziram a ingestão. Entre os mais jovens, a transformação é ainda mais marcante: 55% da Geração Z não consome bebidas alcoólicas, e 43% dos que ainda consomem afirmam querer diminuir a ingestão.

 

Para o sommelier Tiago Locatelli, da Decanter Vinhos, essa mudança vai além de uma preferência passageira. ’O consumidor quer leveza, frescor e liberdade para consumir o vinho de outras formas, sem abrir mão do prazer. Estamos diante de uma mudança cultural, não de uma moda passageira’.

 

Leveza não é sinônimo de simplicidade

 

Um equívoco comum é associar vinhos de baixa graduação a algo menor, sem personalidade. Os melhores rótulos dessa categoria revelam uma complexidade diferente: a da acidez viva, do frescor aromático, da borbulha elegante. São vinhos que convidam ao segundo gole e que harmonizam com uma amplitude maior de situações, do almoço de domingo ao happy hour entre amigos. ’Esses vinhos não precisam competir com um Barolo ou um Borgonha. Eles têm uma linguagem própria, construída sobre frescor, equilíbrio e versatilidade. E é justamente isso que o mercado está pedindo’, afirma Locatelli.

 

O papel do clima e da harmonização

 

Outro elemento que explica a ascensão desses vinhos no Brasil é o clima. O calor característico de grande parte do país, combinado com a informalidade crescente das ocasiões de consumo, favorece naturalmente os perfis mais leves e refrescantes. Análise de mercado de 2026 reforça essa leitura: vinhos de corpo mais leve, com maior acidez e menor teor alcoólico, ganham preferência junto aos consumidores e se alinham com novos hábitos alimentares e maior atenção ao bem-estar.

 

’Harmonizam muito bem com entradas leves, frutos do mar, queijos frescos e pratos com acidez. Mas também funcionam sozinhos, num fim de tarde, sem precisar de comida para justificar a garrafa’, explica Locatelli. Essa versatilidade é, ela mesma, uma forma de sofisticação.

 

Os rótulos da seleção Decanter

 

Na Enoteca Decanter Blumenau, essa tendência ganha forma em uma curadoria precisa de rótulos com menor graduação alcoólica.

  • Medici Ermete Lambrusco Rosso e o Lambrusco Bianco Dolce dell’Emilia (8°GL, R$70,55 cada) representam o melhor da tradição da Emília-Romanha: leves, frutados e perfeitos para consumo prolongado.
  • Hermann Espumante Bossa Moscatel N4 (7,5°GL, R$87,20), aromático e cheio de personalidade, se encaixa em brunches e momentos de celebração descontraída.
  • Já o Hermann Coquetel Bossa Bellini N6 (5°GL, R$92,00) é o mais leve da seleção, inspirado no clássico veneziano, ideal para drinks, dias quentes e encontros informais.
  • Para quem busca elegância com maior refinamento, o Bel Colle Asti Dolce Millesimato 2024 (7,2°GL, R$147,05) entrega o melhor do espumante piemontês.
  • Enquanto o Eugen Müller Riesling Kabinett Forster Mariengarten 2024 (10°GL, R$212,00) representa a expressão máxima do que um vinho leve pode ser: profundidade, mineralidade e acidez vibrante reunidas numa garrafa alemã de categoria.
  • Outra opção é o Luigi Bosca Sweet La Linda (7,1°GL, R$109,00), que possui um aroma fresco e fragrante, que remete a frutas tropicais (abacaxi, manga), pêssego maduro, além de notas cítricas e florais.

 

Uma nova forma de celebrar

 

O que está em jogo não é apenas a escolha de um rótulo com 7% ou 10% de álcool no lugar de outro com 14%. É uma reconfiguração mais ampla do papel do vinho na vida das pessoas. O consumidor atual bebe menos, mas escolhe com mais intenção, e o vinho passou a ser uma decisão consciente para um consumo mais especial e significativo.  ’O vinho sempre foi uma bebida de convívio. O que esses rótulos mais leves fazem é ampliar esse convívio, torná-lo mais acessível e mais inclusivo’, conclui Locatelli. ’Não é sobre beber menos. É sobre beber com mais presença.’

 

** A seleção completa de rótulos com baixa graduação alcoólica está disponível na Enoteca Decanter Blumenau ou através do site da Decanter

** Visite a Enoteca Decanter Blumenau, na Av. Brasil, 630 – Ponta Aguda, Blumenau – SC. Horários de Funcionamento: Loja – segunda a sexta-feira 09h às 19h, e sábado: 09h às 13h e Wine Bar – terça a sexta: 18h às 23h.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *