Uma empresa que nasceu na sala de casa, no interior de Santa Catarina, hoje movimenta dezenas de containers de produtos importados por ano, vende para todo o Brasil e figura entre as referências do seu segmento. Agora, a Casa Ferrari, sediada em Rodeio, anuncia que passa a se chamar Cofari e entra em um novo ciclo de crescimento.
O rebranding, anunciado em abril de 2026, não é apenas uma troca de nome. É o movimento mais recente de uma trajetória de 12 anos que passou por viradas de mercado, pela pandemia, pela abertura para importação e pelo lançamento de uma marca própria, tudo operado por uma equipe de 30 colaboradores a partir de um galpão de 4 mil m² no centro de Rodeio.
“A marca Cofari carrega tudo o que construímos, mas com os olhos voltados para o futuro”, diz o sócio-fundador da marca, Junior Cristofolini.
Uma história do Vale que virou negócio nacional
Antes da Casa Ferrari existir, os sócios Bianca Ferrari Pacher, Bruna Ferrari Pacher e José Cristofolini Junior, já operavam no e-commerce regional com acessórios automotivos. Quando perceberam os limites do segmento, mudanças na legislação e o desinteresse da nova geração pelo setor, anteciparam o movimento e buscaram novos mercados.

Em abril de 2014, nasceu a Casa Ferrari: um armazém virtual que começou com vinhos de uma vinícola da própria região e foi incorporando eletrodomésticos, brinquedos e utilidades domésticas. Muitos dos parceiros eram fabricantes e fornecedores locais do Vale do Itajaí que, até então, não tinham nenhuma presença no comércio digital. Para eles, a Casa Ferrari foi a primeira vitrine online.
Hoje, a empresa opera com um mix de mais de 1.600 produtos, atua em diversos marketplaces simultaneamente e mantém e-commerce próprio, um modelo que poucos players regionais conseguiram construir com a mesma consistência.
A trajetória que moldou a Cofari
Em 2018, a migração do Simples Nacional para o Lucro Real e a adoção da plataforma Magazord, da qual a Cofari é um dos maiores clientes, representaram uma virada operacional e financeira. O faturamento deu um salto e a estrutura da empresa passou a operar em outro nível.
A pandemia de 2020 trouxe desafios logísticos sérios, mas também acelerou o crescimento do e-commerce brasileiro e a empresa soube aproveitar o momento. Os anos de 2022 e 2023, por outro lado, exigiram outro tipo de maturidade: a estabilização do mercado pós-pandemia forçou decisões rápidas e cortes cirúrgicos.
“Foi um período que nos ensinou a tomar decisões rápidas e a olhar para o mercado sem ilusões”, afirma Cristofolini.
Foi justamente nesse cenário desafiador que a empresa tomou sua decisão mais ousada: abrir para a importação e construir uma marca própria.
Importação em escala é o próximo capítulo
Em 2024, chegou o primeiro container, com produtos para cadeiras de escritório. Em 2025, estreou a Bem Casa, a primeira marca própria da companhia, focada em produtos para o lar.
“Para 2026, a nossa projeção é de aproximadamente 40 containers exclusivamente da marca, em um investimento que posiciona a Cofari em um patamar diferente do varejo digital regional”, revela.
O movimento acompanha uma tendência nacional. O e-commerce brasileiro faturou R$ 235,5 bilhões em 2025, crescimento de 15,3% em relação ao ano anterior, segundo a Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (ABIACOM), e empresas com capacidade de importação e marca própria têm se destacado como as mais resilientes no setor.
Bem Casa: quando o Vale do Itajaí cria sua própria marca
A Bem Casa é mais do que uma linha de produtos, é a aposta da Cofari em construir uma identidade própria no mercado de produtos para o lar. Desenvolvida para competir em qualidade e preço nos principais canais digitais do país, a marca nasce com estrutura para escalar rapidamente.
“É onde juntamos o que aprendemos em mais de uma década de e-commerce com a capacidade de criar produtos que realmente fazem sentido para o lar das famílias brasileiras”, diz Bruna Ferrari Pacher, sócia-proprietária da empresa.
Com lançamentos previstos de forma contínua durante o ano, a marca Bem Casa reforça o posicionamento da Cofari como empresa que não apenas distribui produtos, mas constrói marcas, algo raro entre as operações de e-commerce do interior catarinense.



