Desenvolve Vale discute os desafios da sucessão em empresas familiares

**Evento com conselheiros e representantes da 2ª e 3ª geração de sucessores foi comandado por Oscar Constantino e contou com depoimentos que mostraram caminhos para um processo bem-sucedido

O Desenvolve Vale promoveu neste mês de março um debate sobre um tema importante no mundo dos negócios: a sucessão em empresas familiares. Idealizado pelo empresário Oscar Constantino, do Grupo Oscar Calçados, e apresentado em conjunto com o CEO e founder do Desenvolve Vale, Kiko Sawaya, a reunião exclusiva contou com conselheiros e representantes da 2ª e 3ª geração de sucessores de empresas.

“A empresa familiar dá certo, mas tem que ter profissionalismo. É preciso orientação no momento da transição. Cada família tem suas particularidades, e é preciso entender isso, saber quem está interessado em seguir o legado. Os conflitos de interesse muitas vezes quebram a empresa”, afirmou Oscar.

O empresário, envolvido em negócios de ramos diferentes, contou um pouco sobre sua experiência e destacou trunfos para o sucesso e algumas armadilhas que podem comprometer a sucessão. “Tenho 17 sócios, gente da família, outros não, e também tenho funcionários de décadas. Nosso CFO tem 35 anos de empresa, começou como aprendiz”, lembrou, exemplificando a necessidade de comprometimento com a empresa, sendo ou não da família.

O CEO do Grupo Oscar Calçados, Bruno Cazarine Constantino, filho de Oscar, falou sobre seu início na empresa, aos 29 anos, após deixar a carreira de jogador de futebol, e quando começou a se envolver com o negócio. “Comecei na gestão do estoque, fazendo auditoria, e fui aprendendo sobre todos os setores. Vejo a sucessão como uma troca entre gerações”, disse.

Para Oscar, a metáfora da passagem de bastão na corrida de revezamento simboliza com precisão o processo sucessório. “Quando vai entregar o bastão, o primeiro corredor não larga de uma vez, ele vai continuar correndo junto em um primeiro momento. Na relação do fundador com o sucessor, o jovem tem que criar autoridade, para depois receber uma liberdade consentida”, disse Oscar, que atualmente atua como conselheiro do Grupo.

Outros sucessores de empresas ligadas aos conselheiros do Desenvolve Vale também contaram suas trajetórias, que envolveram em alguns casos dúvidas, conflitos geracionais e mudança de rumo profissional.

“Esse tema traz muitas dúvidas, questões burocráticas e sobre a visão de negócio. O desafio das próximas gerações é decidir o que fazer com o legado deixado pelos pais. O que queremos é protagonismo desses jovens. Um encontro rico como esse terá desdobramentos, com novos debates sobre temáticas específicas, como os aspectos legislação relacionados à sucessão”, destacou Kiko Sawaya.

Panorama da sucessão familiar

Pesquisa do IBGE aponta que 90% das empresas têm perfil familiar no Brasil. Elas empregam cerca de 75% da mão de obra no país e representam metade do Produto Interno Bruto (PIB).

As 500 maiores empresas familiares do mundo, em conjunto, geraram US$ 8,8 trilhões em receitas e empregaram 25,1 milhões de pessoas em 2025, de acordo com o índice Global de Empresas Familiares.

Estudo global da consultoria PwC destaca que apenas 36% de companhias do tipo vão à segunda geração. Nas seguintes, esse número se reduz ainda mais: 19% sobrevivem à terceira e 7%, à quarta. De 282 companhias familiares brasileiras, apenas 16% delas afirmam nunca ter tido uma discordância entre os membros. Já 13% declararam que os confrontos são regulares.

Segundo a PwC, apenas 24% dos membros da geração atual no comando das empresas familiares brasileiras têm um plano de sucessão robusto.

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