Encontro do conselho em São José dos Campos reuniu especialistas para discutir impactos nas operações, revisão de contratos e estratégias de adaptação às novas regras

São José dos Campos (SP) – A preparação das empresas para os impactos da Reforma Tributária foi o foco do encontro mensal do conselho do Desenvolve Vale, realizado nesta quarta-feira (28), no Hotel Golden Tulip São José dos Campos. A reunião abordou a necessidade de integrar as áreas jurídica, contábil e operacional na definição de estratégias para a transição, com atenção a contratos, fornecedores, clientes e fluxo de caixa.
Participaram das apresentações os advogados Denilson Alves e Rafael Spadotto, da Alves e Oliveira Assessoria Jurídica e Empresarial; Juliana Camargo Amaro, do FIUS; e Livia Germano, do Barros Pimentel Advogados; além da contabilista Roberta Mantovani, do Grupo BM Soluções Empresariais.
O encontro retomou os debates iniciados no Fórum Reforma 360, promovido pelo Desenvolve Vale em 2025, e ocorreu no mesmo dia em que o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou o cálculo de 11,3% para a alíquota de referência da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). O cálculo será encaminhado ao Senado, responsável por fixar a alíquota. A cobrança efetiva da CBS começa em 2027, quando serão extintos o PIS/Pasep e a Cofins.
Juliana Camargo Amaro destacou que a adaptação exige uma nova postura empresarial, com envolvimento de toda a operação e revisão de contratos e cadastros de fornecedores e clientes.
“A reforma veio para simplificar, mas é contraditório, porque cada passo gera mais discussões. As empresas precisam acompanhar tudo, contar com apoio especializado e se adaptar às alterações, tentando enxergar oportunidades”, disse. “A reforma deixou de ser preocupação do departamento contábil, do jurídico; ela passa por toda a operação. O olhar tem que ir além, para o setor, mercado, fornecedor, cliente, como os concorrentes se posicionam”.
Denilson Alves também defendeu que os empresários definam suas estratégias desde já. O advogado lembrou das visitas a Brasília ao lado de Kiko Sawaya, CEO e founder do Desenvolve Vale, para discutir o tema com senadores e deputados.
“Essa reforma vem sendo discutida há muito tempo, precisava mudar. Agora, dependemos dos próximos passos da legislação”, afirmou. “As empresas devem definir sua estratégia imediatamente. E quando forem pensar nela, têm que chamar o departamento jurídico, para avaliar os riscos e construir soluções. Vejo 2033 (data da entrada em vigor de forma integral) com boas perspectivas, com mais segurança jurídica e competitividade”, avaliou Denilson.
Dúvidas e estratégias
Durante o encontro, os especialistas responderam a perguntas dos conselheiros sobre contratos governamentais, Simples híbrido, locação de imóveis, atividade agrícola e construção civil.
“Que a reforma sirva para uma mudança de cultura. Todos nós estamos aprendendo, o Fisco também está aprendendo. O trabalho para as empresas neste último trimestre é levantar o estoque para ver se vai ter crédito de CBS, o que pode mitigar problemas de fluxo de caixa”, sugeriu Rafael Spadotto.
Roberta Mantovani ressaltou que, apesar das incertezas na aplicação inicial das regras, a tendência é de maior transparência ao longo dos próximos anos. A contabilista reforçou a importância do planejamento e da análise dos impactos sobre cada empresa.
“O país já passou por tanta coisa, não é essa reforma que vai nos derrubar. Acho que a reforma tributária era necessária, e teria sido ainda melhor que tivesse vindo junto com a administrativa. Hoje, os empresários precisam ter atenção com os contratos, negociar com fornecedores e serviços. Tem que fazer conta. Se não se organizar, vai ter aumento de imposto”, alertou.
Livia Germano destacou a importância da informação e do diálogo com o Fisco durante a transição.
“A reforma tende a ser boa, se houver regulamentação. A Receita teve uma mudança de postura, de mais colaboração, você consegue protocolar uma audiência e ser atendido. Isso já está acontecendo. Quem se preparar, se informar, vai ter benefícios. Saímos daqui ainda com algumas dúvidas, mas com várias ideias”, disse.
O CEO e founder do Desenvolve Vale, Kiko Sawaya, reforçou o compromisso do grupo com o acompanhamento da reforma, tanto no diálogo com políticos e lideranças quanto na divulgação de conteúdo nas mídias sociais e na televisão.
“As regras e leis mudam rapidamente no nosso país, mas em relação à Reforma Tributária, já estamos em um momento de implantação, é hora de agir. Temos em nosso conselho alguns dos melhores advogados e contadores da região, e continuaremos tratando do assunto com comprometimento e seriedade, para que isso se reflita no desenvolvimento do país”, disse.



