O Brasil conquistou Medalha de Ouro na principal competição mundial dedicada à uva Vermentino. A Vinícola Abreu Garcia, da Serra Catarinense, foi premiada no Concorso Enologico Internazionale del Vermentino 2026, realizado em Arzachena, na Sardenha, Itália, uma das regiões mais tradicionais do mundo para a casta mediterrânea.
A conquista ganha ainda mais relevância porque o enólogo responsável pelo rótulo, Leonardo Ferrari, também integrou o júri internacional da competição como único representante da América do Sul entre os avaliadores convidados.

A edição de 2026 reuniu 382 vinhos de diferentes países, com mais de 100 rótulos estrangeiros inscritos e 134 vinhos premiados. Entre produtores da Sardenha, Toscana, Córsega e representantes internacionais, o Vermentino elaborado na Serra Catarinense colocou o Brasil entre os territórios reconhecidos mundialmente pela qualidade da variedade.
O resultado marca um momento importante para a vitivinicultura brasileira e reforça o reconhecimento da Serra Catarinense como um dos principais territórios de vinhos de altitude do país, região conhecida pela altitude elevada, amplitude térmica e maturação lenta das uvas.

“Conquistar o Ouro na Sardenha tem um significado muito profundo para mim. Quando iniciamos esse trabalho, éramos pioneiros no Brasil. Não havia um caminho pronto para o Vermentino no país. Foi preciso estudar, observar a variedade e construir nossa própria interpretação dela na Serra Catarinense”, destaca Leonardo Ferrari.
A história do vinho também carrega um significado especial para a Vinícola Abreu Garcia. O Vermentino nasceu de uma inspiração do proprietário Ernani Garcia durante uma viagem realizada com os pais à Itália. A ideia ganhou forma com a contribuição do professor Aparecido Lima da Silva, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que colaborou na chegada das mudas responsáveis pela implantação do vinhedo pioneiro da casta na vinícola.
Para Ernani Garcia, ver a vinícola conquistar Ouro justamente na terra do Vermentino representa o reconhecimento de uma história construída entre inspiração, pesquisa e visão de longo prazo.
“Ver a Abreu Garcia conquistar Ouro justamente na terra do Vermentino é uma emoção imensa. Esse vinho nasceu de uma inspiração muito pessoal e se transformou em um projeto construído com dedicação, estudo e muito trabalho ao longo dos anos”, afirma.
Coube então ao enólogo Leonardo Ferrari interpretar a casta em um terroir até então considerado improvável para o Vermentino. A partir de um pequeno vinhedo de apenas mil plantas, foram anos de observação, ajustes de safra, definição de colheita e construção de uma identidade própria para o vinho brasileiro.
“Elaborar um Vermentino reconhecido internacionalmente, a partir de um vinhedo de apenas mil plantas, na Serra Catarinense, é algo que me emociona profundamente. Mostramos que o Brasil pode construir uma referência mundial para essa variedade”, afirma.
O reconhecimento internacional também consolida uma trajetória construída dentro do próprio concurso. Em 2024, Leonardo Ferrari participou pela primeira vez do júri internacional da competição e retornou em 2026 como o único sul-americano entre os avaliadores convidados, reforçando o reconhecimento técnico internacional de seu trabalho com a variedade. Segundo Leonardo Ferrari, a participação no concurso e o contato com enólogos de diferentes partes do mundo contribuíram para aprofundar ainda mais o entendimento sobre a uva e a precisão necessária para sua elaboração.
A conquista da Vinícola Abreu Garcia reforça o avanço da vitivinicultura brasileira no cenário internacional e posiciona a Serra Catarinense entre os territórios emergentes da produção mundial de vinhos premium.


