Com texto sensível e dramático, o espetáculo tem como pano de fundo os horrores da guerra; apresentação será acessível, com tradução simultânea em Libras
A Cia da Entropia faz, neste sábado (12), às 21h, a última apresentação desta temporada da peça “O Corpo da Mulher Como Campo de Batalha”, do dramaturgo, poeta e jornalista romeno Matéi Visniec.
Um texto sensível, denso e dramático, que explora os limites entre o documental e a poesia ao discutir temas como o horror da guerra, a violência contra a mulher, o estupro e o aborto.
A apresentação será do CET (Centro de Estudos Teatrais), da Fundação Cultural Cassiano Ricardo. O CET fica dentro do Parque da Cidade (avenida Olivo Gomes, 100).
Não é preciso reservar ingressos antecipadamente. Com foco na acessibilidade, essa apresentação terá tradução simultânea na Língua Brasileira de Sinais (Libras).
A peça é financiada pelo Fundo Municipal de Cultura (edital 003/P/2023), da Fundação Cultural Cassiano Ricardo.
O espetáculo
Escrita em 1996, a peça é um retrato chocante da guerra da Bósnia e da crise humanitária que assolou o leste europeu, com enfoque específico para discussão sobre mulheres vítimas do mais repulsivo crime de guerra.
A trama gira em torno de duas mulheres que se encontram em um hospital da Otan, em 1994, na fase final da Guerra da Bósnia. As duas personagens levantam uma discussão sobre a violência contra a mulher, o estupro como arma de guerra, os movimentos extremistas, o aborto e a maternidade.
No palco, as atrizes Milena Siqueira e Simone Sobreda dão vida às personagens Dorra (paciente) e Kate (psicanalista).
Dorra é uma mulher que tem a guerra fincada em seu próprio corpo. Com a vida marcada pela violência e pelo trauma. Entre sentimentos dilacerantes e crises de raiva, ela tenta reconstruir sua história.
Kate é uma psicóloga freudiana americana, formada em Harvard, que deixou sua família para trabalhar na guerra da Bósnia, com as equipes de escavadores de valas comuns. Experiência que a colocou em contato com as piores atrocidades da guerra. Ela tenta curar Dorra e inicia o trabalho com um frio distanciamento científico. Porém, com o desenrolar da história, ela se aproxima da paciente e acaba também revelando seus traumas.
Dorra e Kate, dois mundos que se encontram, Oriente e Ocidente, duas mulheres abaladas pela história, ambas vítimas marcadas pela guerra. Mas, desse encontro nascerá um diálogo, uma amizade, uma cumplicidade para buscar uma saída para o pesadelo.
Um espetáculo impactante que certamente despertará a repulsa a todo o horror inominável que o tema traz à tona. E que deixa um questionamento: “Será possível se reconstruir após tantas violências?”
Para o diretor Fernando Rodrigues, conduzir um trabalho com tamanha carga dramática e que envolve temas tão sensíveis, foi um grande desafio. Afinal, a peça chega num momento em que aborto e estupro estão no foco de uma polêmica discussão na sociedade brasileira.
“Nesse texto o autor consegue traduzir, ao menos em parte, o pesadelo e o trauma de alguém que se vê obrigada a ter um filho de um estupro. Uma oportunidade para que o público sinta um pouco do que se passa pela cabeça da vítima de um crime tão brutal como esse. Mas, sem apontar saídas. É apenas um convite à reflexão. Esperamos que o público aprove”, disse.
Cia da Entropia
A Cia da Entropia nasceu oficialmente em 2018, em São José dos Campos, da união das experiências da atriz Simone Sobreda em produção e atuação, e de Elton Dietrich, em administração e gestão financeira.
Com atuação em São José dos Campos, tem trazido em seus espetáculos, desde a sua criação, temas que falam da mulher em situações limite: feminicídio, subserviência, performance de gênero, esgotamento físico maternidade, estupro, aborto entre outros.
“O Corpo da Mulher como Campo de Batalha”
DATA: 12.10 (sábado)
HORÁRIO: a partir das 21h
LOCAL: CET (Av. Olivo Gomes, 100 – no Parque da Cidade – Santana)
ENTRADA: gratuita
CLASSIFICAÇÃO: 14 anos
DURAÇÃO: 1 hora
INGRESSOS: não é preciso reservar antecipadamente
FICHA TÉCNICA
Matéi Visniec – Dramaturgia
Luiza Jatobá – Tradução
Fernando Rodrigues – Direção Geral
Milena Siqueira – Atriz
Simone Sobreda – Atriz
Wil S. Sousa – Direção de Artes (Cenógrafo e Figurinista)
B.R.Gabs – Criação de Luz e Operação de Luz e Som
Elton Dietrich – Produção Executiva e Gestão Financeira
Rafael Braga – Composição de Trilha Original
Rafael Chamusca – Criação da Identidade Visual
Jaziel Bueno- Criação de Minidoc (Vídeomaker)
Sara Elisiê – Tradução e Intérprete de Libras
Malu Freire – Fotografia
Maiara Tissi – Gestão de Mídias Sociais
Eliane Mendonça – Assessoria de Imprensa
Mais informações: (12) 98889-6514 c/ Eliane
Fotos: Malu Freire




